
Resumo HARDAtualizado em 05 de set. de 2026
Abdome Agudo — Panorama Geral
Abordagem inicial, raciocínio sindrômico, diagnóstico diferencial e conduta na urgência
Neste artigo
Resumo executivo
Abdome agudo

Resumo HARDAtualizado em 05 de set. de 2026
Abordagem inicial, raciocínio sindrômico, diagnóstico diferencial e conduta na urgência
Abdome agudo
A avaliação deve priorizar duas perguntas: o paciente está instável? e há sinais de doença tempo-dependente?. Choque, peritonite, hemorragia ativa, isquemia, perfuração, obstrução com sofrimento de alça e ruptura vascular exigem reconhecimento precoce e não devem aguardar investigação prolongada.
Do ponto de vista sindrômico, o abdome agudo costuma ser dividido em inflamatório, perfurativo, obstrutivo, hemorrágico e isquêmico. Essa classificação é extremamente útil porque permite antecipar padrões clínicos, exames mais informativos e prioridades terapêuticas antes mesmo da definição etiológica.
A história clínica deve caracterizar a dor quanto a início, localização, migração, irradiação, intensidade, fatores de piora/alívio e sintomas associados. O exame físico procura sinais de irritação peritoneal, distensão, massas, hérnias, alterações vasculares e manifestações extra-abdominais. A evolução temporal da dor frequentemente vale mais que uma descrição isolada.
Exames laboratoriais auxiliam na estratificação e no diagnóstico diferencial, mas raramente excluem sozinhos doença grave. A imagem deve ser escolhida conforme o contexto: ultrassonografia é especialmente útil em doença biliar, pélvica e em situações selecionadas; radiografia tem papel mais restrito; e a tomografia computadorizada com contraste intravenoso é o exame de maior rendimento na maioria dos adultos com dor abdominal aguda sem diagnóstico evidente.
A conduta inicial inclui analgesia adequada, acesso venoso, correção de instabilidade, jejum quando houver possibilidade de procedimento, antieméticos, reposição volêmica quando indicada, antibióticos nas síndromes infecciosas/perfurativas e avaliação cirúrgica precoce quando houver suspeita de urgência operatória. Analgesia não deve ser adiada por medo de mascarar o exame físico.
A principal mensagem é simples: no abdome agudo, primeiro reconheça gravidade, depois classifique a síndrome e, por fim, refine a etiologia. Um diagnóstico perfeitamente nomeado é menos importante do que não perder uma perfuração, uma isquemia, uma hemorragia ou um paciente em deterioração.
Definir abdome agudo e compreender seu valor como síndrome clínica.
Reconhecer rapidamente sinais de instabilidade e doença abdominal tempo-dependente.
Classificar o abdome agudo em inflamatório, perfurativo, obstrutivo, hemorrágico e isquêmico.
Interpretar o padrão temporal e a localização da dor abdominal.
Diferenciar dor visceral, parietal e referida.
Realizar exame físico direcionado para irritação peritoneal, obstrução, hemorragia e isquemia.
Selecionar exames laboratoriais conforme a hipótese clínica.
Escolher o método de imagem inicial mais adequado em diferentes cenários.
Reconhecer situações que exigem avaliação cirúrgica imediata.
Organizar a abordagem inicial do paciente com dor abdominal aguda na emergência.
Evitar erros diagnósticos frequentes e armadilhas de prova.
Definição
Síndrome de dor abdominal aguda ou rapidamente progressiva que pode representar doença intra-abdominal potencialmente grave e demandar intervenção urgente.
Como reconhecer
Dor abdominal recente associada a sinais peritoneais, instabilidade hemodinâmica, distensão importante, sangramento, dor desproporcional ao exame ou deterioração clínica.
Conduta principal
Avaliar estabilidade, iniciar suporte, analgesia e exames dirigidos; identificar síndrome provável e acionar cirurgia precocemente se houver suspeita de perfuração, isquemia, hemorragia, obstrução complicada ou peritonite.
Pérola de prova
No abdome agudo, a prioridade é reconhecer a síndrome e a gravidade antes de fechar a etiologia definitiva.
Dor abdominal é uma das queixas mais frequentes na emergência e apresenta amplo espectro, desde doenças autolimitadas até condições com risco imediato de morte. O desafio é que a intensidade da dor, os exames laboratoriais e até o exame físico podem ser pouco exuberantes nas fases iniciais de doenças graves.
O conceito de abdome agudo serve justamente para agrupar situações nas quais a dor abdominal é recente, relevante e exige investigação rápida. Ele não implica necessariamente cirurgia: pancreatite, gastroenterite, pielonefrite, cetoacidose diabética e diversas outras doenças podem produzir quadro abdominal agudo sem indicação operatória.
Por outro lado, algumas condições são altamente tempo-dependentes. Perfuração de víscera, isquemia mesentérica, ruptura de aneurisma, hemoperitônio e estrangulamento intestinal apresentam aumento de morbimortalidade quando o diagnóstico e o tratamento são atrasados.
A abordagem mais eficiente combina estabilidade hemodinâmica + padrão da dor + sinais peritoneais + síndrome provável + exame de imagem adequado. Essa estrutura é mais segura do que tentar memorizar dezenas de doenças isoladamente.
Este panorama organiza o raciocínio geral. Os principais grupos sindrômicos e suas doenças serão aprofundados separadamente nos demais resumos da trilha.
Dor visceral resulta da distensão, tração, inflamação ou isquemia de vísceras. Costuma ser mal localizada, profunda e associada a sintomas autonômicos como náuseas, sudorese e palidez. Sua localização tende a refletir a origem embriológica do segmento acometido.
Intestino anterior: dor predominantemente epigástrica.
Intestino médio: dor predominantemente periumbilical.
Intestino posterior: dor predominantemente hipogástrica.
Dor parietal ocorre quando o peritônio parietal é irritado. É mais intensa, bem localizada e piora com movimento, tosse ou percussão. O paciente frequentemente permanece imóvel para evitar exacerbação.
Dor referida é percebida em região distante do órgão acometido por convergência de aferências nervosas. Exemplos clássicos incluem dor em ombro por irritação diafragmática e dor dorsal em algumas doenças pancreáticas ou vasculares.
Início súbito e máximo desde o começo: pensar em perfuração, ruptura vascular, torção ou evento isquêmico.
Progressão ao longo de horas: comum em processos inflamatórios.
Dor em cólica: sugere contração de víscera oca contra obstrução; pode ocorrer em obstrução intestinal, cólica ureteral ou biliar.
Dor contínua e progressiva: mais compatível com inflamação, isquemia avançada ou irritação peritoneal.
A migração ocorre quando um processo inicialmente visceral passa a irritar o peritônio parietal. O exemplo clássico é a apendicite: dor inicialmente periumbilical e posteriormente localizada em fossa ilíaca direita.
Peritonismo descreve sinais de irritação peritoneal no exame. Defesa involuntária, rigidez e dor à descompressão ou à percussão aumentam a suspeita de doença intra-abdominal significativa. Entretanto, idosos, imunossuprimidos e pacientes em choque podem apresentar sinais discretos mesmo com doença grave.
Regra prática: hipotensão, alteração de consciência, extremidades frias, enchimento capilar lento, taquicardia persistente ou lactato elevado indicam necessidade de ressuscitação simultânea à investigação.
Nem toda dor abdominal importante nasce no abdome. Síndrome coronariana aguda inferior, pneumonia basal, embolia pulmonar, cetoacidose diabética, porfiria, herpes-zóster inicial e doenças testiculares podem simular abdome agudo. Em mulheres em idade fértil, causas ginecológicas e gestacionais devem ser consideradas desde o início.
Opioides e outros analgésicos podem ser utilizados de forma titulada durante a investigação. A prática de manter o paciente com dor para “não mascarar” o diagnóstico não é recomendada. O exame pode e deve ser reavaliado após analgesia.
Inflamatório: apendicite, diverticulite, colecistite, pancreatite, doença inflamatória intestinal complicada, doença inflamatória pélvica.
Perfurativo: úlcera gastroduodenal perfurada, perfuração diverticular, perfuração neoplásica, perfuração intestinal traumática ou iatrogênica.
Obstrutivo: aderências, hérnias, neoplasias, vólvulos, intussuscepção, fecaloma e obstruções funcionais selecionadas.
Hemorrágico: ruptura de aneurisma de aorta abdominal, gravidez ectópica rota, ruptura esplênica, sangramento tumoral ou vascular.
Isquêmico: isquemia mesentérica arterial embólica ou trombótica, trombose venosa mesentérica, isquemia não oclusiva e estrangulamento de alça.
Cirurgia abdominal prévia: aumenta risco de aderências e obstrução intestinal.
Fibrilação atrial ou doença aterosclerótica: aumentam suspeita de isquemia mesentérica.
Idade avançada e tabagismo: aumentam risco de aneurisma de aorta abdominal e apresentações atípicas.
Uso de AINE, anticoagulantes ou corticoides: pode modificar risco de sangramento, perfuração e expressão clínica.
Hérnias conhecidas: elevam probabilidade de obstrução e estrangulamento.
Álcool e litíase biliar: são pistas importantes em pancreatite.
Gestação possível: exige exclusão de gravidez ectópica quando houver dor e/ou sangramento.
Início: súbito ou gradual; horário e circunstância de início.
Localização inicial e atual: identificar eventual migração.
Qualidade: cólica, queimação, pressão, pontada ou dor contínua.
Irradiação: dorso, ombro, virilha, tórax ou região escapular.
Sintomas associados: febre, vômitos, diarreia, obstipação, sangramento, sintomas urinários, icterícia, síncope e perda ponderal.
Última evacuação e eliminação de flatos: particularmente importantes na suspeita de obstrução.
História ginecológica: data da última menstruação, possibilidade de gestação, sangramento e corrimento.
Cirurgias e doenças prévias: especialmente operações abdominais e doença vascular.
Dor + febre + defesa localizada: favorece processo inflamatório.
Dor súbita + abdome rígido: sugere perfuração.
Dor em cólica + vômitos + distensão + parada de flatos/fezes: sugere obstrução.
Dor + choque ou queda de hemoglobina: pensar em hemorragia.
Dor intensa desproporcional ao exame: é alerta clássico para isquemia mesentérica precoce.
Instabilidade hemodinâmica ou síncope.
Rigidez abdominal ou defesa involuntária difusa.
Dor progressiva associada a toxemia.
Hemorragia digestiva ou suspeita de hemoperitônio.
Acidose metabólica ou lactato progressivamente elevado.
Febre alta com disfunção orgânica.
Hérnia dolorosa irredutível com sinais obstrutivos.
Dor abdominal em gestante com instabilidade.
Em pacientes instáveis, a investigação deve ocorrer em paralelo à ressuscitação. A causa pode ser hemorrágica, séptica, obstrutiva ou vascular, e a necessidade de intervenção não deve ser atrasada por um painel extenso de exames.
Estado geral, perfusão, nível de consciência e sinais vitais.
Inspeção do abdome: distensão, cicatrizes, circulação colateral e hérnias.
Ausculta tem valor limitado isoladamente e não deve atrasar outras etapas.
Palpação para dor localizada, defesa, rigidez, massas e visceromegalias.
Percussão pode revelar dor peritoneal e timpanismo em distensão.
Exame de orifícios herniários quando houver suspeita de obstrução.
Exames retal, pélvico ou testicular devem ser seletivos, conforme a hipótese.
Hemograma: anemia, leucocitose ou hemoconcentração; valores normais não excluem doença grave.
Eletrólitos, ureia e creatinina: desidratação, insuficiência renal e preparo para contraste/terapia.
Função hepática e bilirrubinas: úteis em suspeita hepatobiliar.
Lipase: exame preferido na suspeita de pancreatite aguda.
Lactato e gasometria: úteis em choque e suspeita de hipoperfusão/isquemia; lactato normal não exclui isquemia precoce.
Urina: auxilia em doença urinária, mas piúria ou hematúria podem ocorrer secundariamente a processos abdominais.
β-hCG: deve ser considerado em toda paciente com potencial gestacional.
Troponina/ECG: importantes quando síndrome coronariana estiver no diferencial.
Em apresentações atípicas, considerar infarto inferior, pneumonia basal, embolia pulmonar, cetoacidose diabética, pielonefrite, cólica ureteral, torção testicular, gravidez ectópica, doença inflamatória pélvica e causas metabólicas ou tóxicas.
Essa classificação não é absoluta: uma mesma doença pode evoluir de uma síndrome para outra. Uma obstrução intestinal, por exemplo, pode complicar com isquemia, necrose e perfuração.
Analgesia precoce: tratar a dor enquanto a investigação prossegue.
Antieméticos: úteis em náuseas e vômitos.
Acesso venoso e fluidos: indicados quando houver hipovolemia, perdas ou instabilidade.
Jejum: apropriado quando existe possibilidade de procedimento ou cirurgia.
Correção de distúrbios hidroeletrolíticos: especialmente em vômitos e obstrução.
Antibióticos: indicados em infecção intra-abdominal, perfuração e outras situações específicas; não são rotina para toda dor abdominal.
Descompressão gastrointestinal: sonda nasogástrica pode ser necessária em obstrução com vômitos persistentes ou distensão importante.
Controle da causa: drenagem, cirurgia, endoscopia ou intervenção vascular conforme a etiologia.
Solicitar avaliação cirúrgica sem aguardar investigação completa diante de peritonite, perfuração provável, isquemia, obstrução complicada, hérnia encarcerada/estrangulada, hemorragia intra-abdominal, deterioração clínica ou forte suspeita de condição cirúrgica tempo-dependente.
ABCDE e monitorização se houver instabilidade ou aparência tóxica.
Dois acessos venosos calibrosos em pacientes com choque, hemorragia ou possibilidade de cirurgia urgente.
Analgesia e antiemético sem atrasar diagnóstico.
Coletar exames dirigidos, tipagem/provas transfusionais quando houver risco hemorrágico.
Reposição volêmica individualizada; em hemorragia importante, priorizar estratégia transfusional apropriada em vez de grandes volumes de cristaloide.
Antibiótico precoce se houver sepse, perfuração ou infecção intra-abdominal relevante.
Imagem apropriada somente se o paciente estiver estável o suficiente e o exame puder modificar a conduta.
Acionar equipe cirúrgica ou intervencionista rapidamente nas síndromes tempo-dependentes.
Alerta: em paciente instável com forte suspeita de hemorragia, perfuração ou catástrofe vascular, a TC pode ser inadequada se atrasar o controle definitivo.
Dipirona: 1 g IV, podendo ser repetida conforme necessidade clínica e protocolo local.
Paracetamol: 1 g IV ou VO em adultos, respeitando dose diária máxima e função hepática.
Ondansetrona: 4 mg IV, podendo ser repetida conforme resposta e risco de prolongamento do QT.
Morfina: 2–4 mg IV em bolus titulados, com reavaliação frequente de dor, nível de consciência e ventilação.
Cristaloide isotônico: bolus individualizados em hipovolemia; evitar reposição indiscriminada em pacientes sem sinais de depleção.
Antibioticoterapia não deve ser padronizada neste panorama, pois depende do foco, gravidade, perfil microbiológico local e possibilidade de perfuração ou sepse. As opções específicas pertencem aos resumos de cada síndrome.
Dor abdominal aguda → avaliar estabilidade hemodinâmica.
Instável → ressuscitar + procurar hemorragia, sepse, perfuração ou catástrofe vascular → acionar cirurgia/intervenção precocemente.
Estável → definir padrão da dor + procurar peritonismo → classificar síndrome provável.
Inflamatório → exames dirigidos + US/TC conforme topografia.
Perfurativo → TC se estável + cirurgia precoce.
Obstrutivo → TC + avaliar sinais de estrangulamento/isquemia.
Hemorrágico → hemograma, tipagem e imagem conforme estabilidade.
Isquêmico → lactato/gasometria + angio-TC urgente se estável.
→ tratar causa e reavaliar clinicamente de forma seriada.
Mapa anatômico das regiões abdominais e principais diagnósticos diferenciais por localização.
Esquema comparando dor visceral, parietal e referida.
Ilustração dos cinco grandes padrões sindrômicos do abdome agudo.
Radiografia demonstrativa de pneumoperitônio.
TC ilustrativa de obstrução intestinal com ponto de transição.
Angio-TC ilustrativa de isquemia mesentérica.
Dor desproporcional ao exame físico é pista clássica de isquemia mesentérica.
Dor em cólica + distensão + vômitos + obstipação sugere obstrução intestinal.
Dor súbita intensa com peritonite levanta forte suspeita de perfuração.
Instabilidade com dor abdominal deve levantar hipótese de hemorragia intra-abdominal ou causa vascular.
Analgesia pode ser oferecida antes do diagnóstico definitivo.
Leucocitose e lactato normais não excluem doença cirúrgica grave nas fases iniciais.
Em mulher com potencial gestacional e dor abdominal, lembrar de β-hCG.
TC com contraste IV é o exame mais abrangente na maioria dos adultos estáveis com diagnóstico incerto.
Ultrassonografia é primeira escolha em suspeita biliar e é especialmente importante na gestação.
Uma obstrução pode evoluir para isquemia, necrose e perfuração.
Idosos podem ter apresentações pouco exuberantes apesar de doença grave.
Peritonite difusa é indicação de avaliação cirúrgica imediata, independentemente de o diagnóstico etiológico estar completamente definido.
Esperar exames laboratoriais alterarem antes de considerar doença grave.
Atrasar analgesia por medo de mascarar o exame abdominal.
Interpretar a intensidade da dor como sinônimo direto de gravidade.
Não examinar hérnias em paciente com quadro obstrutivo.
Ignorar causas extra-abdominais de dor abdominal.
Não solicitar teste de gravidez em mulher com potencial gestacional.
Usar radiografia simples como exame principal quando a TC é necessária.
Enviar paciente instável para TC quando o exame não mudará a necessidade de intervenção urgente.
Confiar em lactato normal para excluir isquemia mesentérica precoce.
Não reavaliar o abdome ao longo do tempo.
Abdome agudo é uma síndrome, não um diagnóstico.
Primeiro determine estabilidade e sinais de doença tempo-dependente.
Classifique o quadro em inflamatório, perfurativo, obstrutivo, hemorrágico ou isquêmico.
A cronologia da dor orienta fortemente o diagnóstico.
Dor visceral é mal localizada; dor parietal é localizada e piora com movimento.
A imagem deve responder uma pergunta clínica concreta.
Analgesia adequada faz parte da avaliação, não é um obstáculo a ela.
Reavaliação seriada é fundamental quando o diagnóstico inicial permanece incerto.
Loscalzo J, Fauci AS, Kasper DL, et al..
Harrison's Principles of Internal Medicine.
McGraw-Hill, 2022.
Townsend CM, Beauchamp RD, Evers BM, Mattox KL.
Sabiston Textbook of Surgery.
Elsevier, 2022.
Brunicardi FC, Andersen DK, Billiar TR, et al..
Schwartz's Principles of Surgery.
McGraw-Hill, 2022.
UpToDate contributors.
Evaluation of the adult with abdominal pain.
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American College of Radiology.
ACR Appropriateness Criteria: Acute Nonlocalized Abdominal Pain.
American College of Radiology, 2023.
ESTES contributors.
European Society for Trauma and Emergency Surgery guidance on acute abdomen.
European Society for Trauma and Emergency Surgery, 2023.
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