Suporte Básico de Vida em Pediatria — MedVerse · MedVerse
Resumo HARD · Atualizado em 10 de set. de 2026
Suporte Básico de Vida em Pediatria
Reconhecimento da parada, RCP de alta qualidade, ventilação, DEA e obstrução de via aérea — AHA/AAP 2025
Arthur MedVerse
·60 min de leitura·Avançado
Neste artigo
Resumo executivo
O Suporte Básico de Vida (SBV) em Pediatria compreende o reconhecimento precoce da deterioração e da parada cardiorrespiratória, acionamento do sistema de emergência, ressuscitação cardiopulmonar de alta qualidade, ventilação efetiva e desfibrilação precoce quando indicada. As recomendações abaixo seguem a atualização American Heart Association/American Academy of Pediatrics de 2025.
Diferentemente do adulto, a parada cardíaca pediátrica é frequentemente consequência de insuficiência respiratória progressiva ou choque. Por isso, ventilação e oxigenação possuem importância central e a ressuscitação convencional com compressões associadas a ventilações é preferível à ressuscitação apenas com compressões.
Para fins de SBV, lactente corresponde aproximadamente ao paciente com menos de 1 ano, excluindo o recém-nascido no contexto do nascimento; criança corresponde de aproximadamente 1 ano até a puberdade. A partir de sinais de puberdade, seguem-se algoritmos de SBV adulto.
Em paciente inconsciente com respiração ausente ou anormal, incluindo gasping, o profissional de saúde pode verificar pulso por no máximo 10 segundos. Se não houver pulso definitivamente palpável, devem ser iniciadas compressões.
A ressuscitação cardiopulmonar deve começar pela sequência C-A-B: compressões, via aérea e ventilação. A frequência de compressões é de 100–120/min, com profundidade de pelo menos 1/3 do diâmetro anteroposterior do tórax: aproximadamente 4 cm no lactente e 5 cm na criança.
Sem via aérea avançada, a relação compressão:ventilação é 30:2 para um socorrista e 15:2 para dois socorristas. Com via aérea avançada, realizam-se compressões contínuas e ventilação de 1 incursão a cada 2–3 segundos, aproximadamente 20–30/min.
Uma mudança importante das diretrizes de 2025 é a técnica de compressão no lactente: a técnica com dois dedos foi retirada. Recomenda-se técnica dos dois polegares envolvendo o tórax ou técnica com o calcanhar de uma mão.
O desfibrilador externo automático (DEA) deve ser conectado assim que disponível. Em menores de 8 anos, prefere-se atenuador/pás pediátricas quando disponíveis; se não houver dispositivo pediátrico nem desfibrilador manual, um DEA sem atenuador pode ser considerado.
Na obstrução grave por corpo estranho, outra mudança de 2025 merece destaque: lactentes recebem ciclos de 5 golpes dorsais + 5 compressões torácicas; crianças recebem 5 golpes dorsais + 5 compressões abdominais. Varredura digital às cegas é contraindicada.
Mensagem de prova: pediatria = causa respiratória predominante; RCP 100–120/min e 1/3 do tórax; 30:2 com um socorrista, 15:2 com dois; ventilação com pulso ou via aérea avançada = 20–30/min; lactente em 2025 não usa mais técnica de dois dedos.
Objetivos de aprendizagem
01
Reconhecer rapidamente parada cardiorrespiratória em lactentes e crianças.
02
Diferenciar as faixas etárias utilizadas nos algoritmos pediátricos.
03
Executar ressuscitação cardiopulmonar pediátrica de alta qualidade.
04
Memorizar frequência e profundidade adequadas das compressões.
05
Aplicar corretamente as relações compressão:ventilação.
06
Reconhecer a importância das ventilações na parada pediátrica.
07
Aplicar as técnicas atualizadas de compressão torácica no lactente.
08
Utilizar corretamente o desfibrilador externo automático em pediatria.
09
Abordar respiração inadequada com pulso presente.
10
Reconhecer e tratar obstrução de via aérea por corpo estranho conforme as recomendações de 2025.
Visão rápida
Definição
SBV pediátrico inclui reconhecimento da parada, ativação do sistema de emergência, RCP de alta qualidade, ventilação e desfibrilação precoce.
Como reconhecer
Inconsciência + respiração ausente/anormal; profissional verifica pulso por no máximo 10 s e inicia compressões se não houver pulso definido.
Conduta principal
C-A-B; 100–120 compressões/min; profundidade ≥1/3 do tórax; 30:2 com 1 socorrista e 15:2 com 2; DEA assim que disponível.
Pérola de prova
AHA/AAP 2025 retirou a técnica de compressão com dois dedos no lactente: usar dois polegares envolvendo o tórax ou calcanhar de uma mão.
Introdução
A parada cardíaca pediátrica possui fisiopatologia diferente da parada adulta. Insuficiência respiratória e choque frequentemente precedem bradicardia, deterioração hemodinâmica e parada, tornando prevenção, reconhecimento precoce e ventilação componentes essenciais.
As diretrizes AHA/AAP de 2025 representam a primeira atualização abrangente do SBV pediátrico desde 2020 e introduziram mudanças relevantes principalmente na técnica de compressão do lactente, uso precoce do DEA e abordagem da obstrução por corpo estranho.
Conceitos fundamentais
Faixas etárias
Lactente: menor de aproximadamente 1 ano, excluindo o recém-nascido durante a transição ao nascimento.
Criança: aproximadamente 1 ano até a puberdade.
Puberdade e além: utilizar recomendações de SBV adulto.
Reanimação no nascimento segue diretrizes específicas de reanimação neonatal.
Cadeia de sobrevivência
Prevenção e reconhecimento precoce da deterioração são especialmente importantes em pediatria.
Acionamento rápido do sistema de emergência.
RCP de alta qualidade.
Desfibrilação precoce quando há ritmo chocável.
Cuidados avançados e pós-parada completam a cadeia.
Por que ventilar é tão importante?
Parada pediátrica é frequentemente hipóxica/asfíxica.
Ventilação associada às compressões apresenta melhores resultados em parada extra-hospitalar pediátrica que ausência de RCP.
Se o leigo não puder ou não quiser ventilar, RCP somente com compressões é preferível a não realizar RCP.
Quadro clínico
Reconhecimento da parada
Paciente inconsciente.
Respiração ausente ou anormal, incluindo gasping.
Ausência de sinais de vida.
Profissional de saúde pode verificar pulso por no máximo 10 segundos.
Se não sentir definitivamente um pulso dentro desse período, iniciar compressões.
Respiração inadequada com pulso
Se há pulso, mas respiração está ausente ou inadequada, fornecer ventilações.
Frequência recomendada: 1 ventilação a cada 2–3 segundos, equivalente a 20–30/min.
Avaliar continuamente resposta e evolução para parada.
Pulso para profissionais
No lactente, a artéria braquial é classicamente utilizada para palpação.
Na criança, pulso carotídeo ou femoral pode ser utilizado.
A palpação é imperfeita; não prolongar a avaliação além de 10 segundos.
Diagnóstico
Avaliação inicial
Garantir segurança da cena.
Verificar responsividade.
Solicitar ajuda e ativar sistema de resposta apropriado.
Avaliar simultaneamente respiração e pulso por no máximo 10 segundos quando profissional de saúde.
Se ausência de respiração normal e ausência de pulso definido → iniciar RCP.
Conectar DEA/desfibrilador assim que disponível.
Princípio de reconhecimento
Não atrasar compressões por tentativa prolongada de confirmar pulso.
Leigos não devem realizar checagem de pulso.
Gasping não é respiração normal.
Classificações e estratificação
RCP de alta qualidade
Frequência de compressão: 100–120/min.
Profundidade: pelo menos 1/3 do diâmetro anteroposterior do tórax.
Lactente: aproximadamente 4 cm.
Criança: aproximadamente 5 cm.
Permitir retorno completo do tórax.
Minimizar interrupções; pausas devem ser inferiores a 10 segundos.
Evitar ventilação excessiva.
Relação compressão:ventilação
Um socorrista, sem via aérea avançada: 30:2.
Dois socorristas, sem via aérea avançada: 15:2.
Com via aérea avançada: compressões contínuas + 1 ventilação a cada 2–3 segundos.
Tratamento
Compressões no lactente — atualização 2025
Utilizar técnica dos dois polegares com as mãos envolvendo o tórax quando possível.
Também é recomendada a técnica com o calcanhar de uma mão sobre o esterno.
Se não for possível envolver fisicamente o tórax, utilizar o calcanhar de uma mão.
A técnica tradicional de dois dedos sobre o esterno foi eliminada das recomendações de 2025 por produzir profundidade inadequada.
Compressões na criança
Pode-se utilizar uma ou duas mãos, de acordo com o tamanho da criança e do socorrista.
Comprimir sobre a metade inferior do esterno.
O objetivo é atingir profundidade adequada com retorno completo do tórax.
Ventilação
Abrir via aérea com inclinação da cabeça e elevação do queixo quando não houver suspeita de trauma cervical.
Se houver suspeita de lesão cervical, iniciar com elevação da mandíbula sem extensão da cabeça.
Se a manobra de elevação da mandíbula não abrir a via aérea, utilizar inclinação da cabeça e elevação do queixo, pois oxigenação e ventilação efetivas têm prioridade.
Fornecer volume suficiente para produzir elevação visível do tórax.
Evitar hiperventilação.
DEA e desfibrilação
Aplicar DEA assim que disponível.
Em menores de 8 anos, utilizar atenuador e pás pediátricas quando disponíveis.
Se profissional treinado dispõe de desfibrilador manual, seu uso é razoável.
Na ausência de equipamento pediátrico ou desfibrilador manual, DEA sem atenuador pode ser utilizado/considerado.
Usar as maiores pás que caibam no tórax mantendo separação adequada.
Posição anterolateral ou anteroposterior é aceitável.
Se choque for indicado, minimizar pausas e reiniciar compressões imediatamente após o choque.
Conduta na urgência e emergência
Obstrução leve por corpo estranho
Se lactente ou criança consegue tossir e produzir sons, permitir tosse espontânea.
Observar atentamente para progressão para obstrução grave.
Não realizar intervenções agressivas enquanto a tosse permanecer efetiva.
Obstrução grave — lactente
Realizar 5 golpes dorsais.
Alternar com 5 compressões torácicas.
Repetir ciclos até expulsão do corpo estranho ou perda de responsividade.
NÃO realizar compressões abdominais no lactente.
Obstrução grave — criança
Realizar 5 golpes dorsais.
Alternar com 5 compressões abdominais.
Repetir até expulsão ou perda de responsividade.
Essa sequência iniciando por golpes dorsais é uma atualização importante das recomendações de 2025.
Se ficar inconsciente
Iniciar RCP imediatamente começando por compressões.
Na obstrução por corpo estranho que evoluiu para inconsciência, não realizar checagem de pulso antes de iniciar RCP.
Ao abrir a via aérea para ventilar, retirar apenas corpo estranho visível.
Nunca realizar varredura digital às cegas.
Algoritmos e fluxogramas
SBV pediátrico — profissional de saúde
Confirmar segurança da cena e avaliar responsividade.
Acionar ajuda/sistema de emergência e obter DEA conforme situação.
Verificar respiração e pulso simultaneamente por ≤10 s.
Pulso presente + respiração inadequada → ventilar 1 vez a cada 2–3 s e reavaliar.
Sem pulso definido + respiração ausente/anormal → iniciar RCP C-A-B.
Comprimir 100–120/min, profundidade ≥1/3 do tórax.
Um socorrista → 30:2; dois socorristas → 15:2.
Conectar DEA/desfibrilador assim que disponível.
Se ritmo chocável → choque e reiniciar RCP imediatamente.
Reavaliar ritmo aproximadamente a cada 2 minutos, minimizando interrupções.
Qualidade da RCP — checklist
100–120/min.
≥1/3 do diâmetro anteroposterior.
≈4 cm no lactente.
≈5 cm na criança.
Retorno completo do tórax.
Pausas <10 s.
Evitar ventilação excessiva.
Trocar compressor aproximadamente a cada 2 min quando houver equipe, reduzindo fadiga.
Via aérea avançada
Não interromper compressões para cada ventilação.
Compressões contínuas 100–120/min.
Ventilar 20–30/min, aproximadamente 1 ventilação a cada 2–3 s.
Observar elevação torácica e evitar ventilação excessiva.
O que mais cai
A parada pediátrica é frequentemente secundária à insuficiência respiratória ou choque.
Ventilação é particularmente importante na RCP pediátrica.
Sequência recomendada: C-A-B.
Profissional verifica pulso por no máximo 10 segundos.
Frequência de compressões: 100–120/min.
Profundidade: pelo menos 1/3 do diâmetro anteroposterior.
Lactente: aproximadamente 4 cm.
Criança: aproximadamente 5 cm.
Um socorrista: 30:2.
Dois socorristas: 15:2.
Via aérea avançada ou pulso com respiração inadequada: 20–30 ventilações/min.
AHA/AAP 2025 eliminou a técnica de compressão com dois dedos no lactente.
Lactente: dois polegares envolvendo o tórax ou calcanhar de uma mão.
DEA deve ser aplicado assim que disponível.
Menor de 8 anos: preferir atenuador pediátrico, mas não deixar de desfibrilar se ele não estiver disponível.
Aplicar lógica de parada cardíaca primária do adulto à criança e subestimar ventilação.
Demorar mais de 10 segundos tentando encontrar pulso.
Considerar gasping como respiração normal.
Comprimir abaixo de 100/min ou acima de 120/min.
Realizar compressões superficiais.
Não permitir retorno completo do tórax.
Interromper compressões por períodos prolongados.
Usar relação 30:2 quando há dois profissionais em RCP pediátrica sem via aérea avançada.
Ventilar apenas 10/min após via aérea avançada, confundindo com protocolos adultos antigos.
Continuar ensinando técnica de dois dedos no lactente após atualização AHA/AAP 2025.
Aguardar equipamento pediátrico e atrasar uso do DEA.
Realizar compressões abdominais em lactente com corpo estranho.
Na criança com obstrução grave, esquecer que a recomendação 2025 inicia com 5 golpes dorsais.
Fazer varredura digital às cegas.
Para lembrar
PEDIATRIA → parada geralmente RESPIRATÓRIA/CHOQUE.
C-A-B.
PULSO → máximo 10 s.
COMPRESSÃO → 100–120/min.
PROFUNDIDADE → 1/3 do tórax.
LACTENTE → ~4 cm.
CRIANÇA → ~5 cm.
1 SOCORRISTA → 30:2.
2 SOCORRISTAS → 15:2.
VIA AÉREA AVANÇADA → 20–30 ventilações/min.
2025: LACTENTE → NÃO usar 2 dedos.
DEA → O MAIS CEDO POSSÍVEL.
OVACE LACTENTE → 5 DORSAIS + 5 TORÁCICAS.
OVACE CRIANÇA → 5 DORSAIS + 5 ABDOMINAIS.
NUNCA → varredura digital às cegas.
Referências
1.
Joyner BL Jr et al..
Part 6: Pediatric Basic Life Support: 2025 American Heart Association and American Academy of Pediatrics Guidelines for Cardiopulmonary Resuscitation and Emergency Cardiovascular Care.
Part 6: Pediatric Basic Life Support: 2025 American Heart Association and American Academy of Pediatrics Guidelines for Cardiopulmonary Resuscitation and Emergency Cardiovascular Care.