Tipos anatômicos, fisiologia do shunt, diagnóstico e indicações de fechamento
Arthur MedVerse
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Neste artigo
Resumo executivo
Comunicação interatrial (CIA) é um defeito congênito do septo atrial que permite comunicação entre os átrios. Na maioria dos casos, a pressão do átrio esquerdo supera a do átrio direito, produzindo shunt esquerda-direita e sobrecarga volumétrica das câmaras direitas.
O tipo ostium secundum é o mais comum e localiza-se na região da fossa oval. Outros tipos relevantes são ostium primum, seio venoso e defeito do seio coronário. Essa classificação importa porque apenas defeitos secundum com anatomia adequada são habitualmente candidatos ao fechamento percutâneo por dispositivo.
A maior parte das crianças é assintomática. Defeitos moderados ou grandes podem causar infecções respiratórias recorrentes, intolerância ao exercício, baixo ganho ponderal ou, menos frequentemente, insuficiência cardíaca na infância. A repercussão hemodinâmica é determinada principalmente pelo tamanho efetivo do shunt, complacência ventricular e resistência vascular pulmonar.
O achado auscultatório clássico é desdobramento amplo e fixo da segunda bulha associado frequentemente a sopro sistólico ejetivo em foco pulmonar por aumento do fluxo através da valva pulmonar. O sopro não é causado diretamente pela passagem de sangue através da CIA.
No eletrocardiograma, o padrão varia conforme o tipo. CIA ostium secundum costuma associar-se a desvio do eixo para a direita e bloqueio incompleto do ramo direito. CIA ostium primum é classicamente associada a desvio do eixo para a esquerda.
A ecocardiografia com Doppler é o principal exame diagnóstico. Ela define localização e tamanho do defeito, direção do shunt, dilatação de átrio e ventrículo direitos, pressão pulmonar estimada e anatomia das bordas do septo, fundamentais para decidir a possibilidade de fechamento percutâneo.
Pequenos defeitos secundum podem fechar espontaneamente, sobretudo quando diagnosticados precocemente. Defeitos com shunt significativo e sobrecarga volumétrica do ventrículo direito devem ser fechados mesmo em crianças assintomáticas, em geral de forma eletiva durante a primeira infância.
O fechamento percutâneo é a estratégia preferida para a maioria das CIA ostium secundum com anatomia favorável. Defeitos ostium primum, seio venoso, seio coronário e secundum sem bordas adequadas geralmente requerem correção cirúrgica.
Mensagem de prova: desdobramento fixo de segunda bulha + sopro sistólico ejetivo pulmonar + dilatação de câmaras direitas = pensar em comunicação interatrial. Se o eixo estiver à esquerda, lembre especialmente de ostium primum.
Objetivos de aprendizagem
01
Definir comunicação interatrial e compreender a fisiopatologia do shunt esquerda-direita.
02
Diferenciar os principais tipos anatômicos de comunicação interatrial.
03
Reconhecer o desdobramento fixo da segunda bulha como achado clássico.
04
Relacionar o sopro sistólico pulmonar ao aumento do fluxo e não ao defeito septal em si.
05
Interpretar os achados eletrocardiográficos típicos dos defeitos secundum e primum.
06
Utilizar a ecocardiografia para confirmar o diagnóstico e avaliar repercussão hemodinâmica.
07
Reconhecer quais defeitos podem fechar espontaneamente.
08
Identificar as indicações de fechamento mesmo em pacientes assintomáticos.
09
Diferenciar candidatos a fechamento percutâneo daqueles que necessitam cirurgia.
10
Reconhecer hipertensão pulmonar vascular avançada como situação que pode contraindicar o fechamento.
Visão rápida
Definição
Defeito do septo atrial que geralmente produz shunt esquerda-direita e sobrecarga volumétrica de átrio e ventrículo direitos.
Como reconhecer
Desdobramento amplo e fixo da segunda bulha + sopro sistólico ejetivo em foco pulmonar; ecocardiograma confirma.
Conduta principal
Pequena e sem repercussão → acompanhamento; shunt significativo com dilatação de câmaras direitas → fechamento; secundum favorável → preferencialmente percutâneo.
Pérola de prova
CIA secundum tende a eixo direito; CIA primum é a clássica CIA associada a desvio do eixo para a esquerda.
Introdução
A comunicação interatrial é uma das cardiopatias congênitas mais frequentes e pode permanecer silenciosa durante anos. A baixa resistência vascular pulmonar após o período neonatal favorece passagem de sangue do átrio esquerdo para o direito, aumentando progressivamente o fluxo pulmonar.
Como o shunt ocorre entre duas câmaras de baixa pressão, a criança frequentemente tolera o defeito melhor que uma comunicação interventricular de tamanho semelhante. Por isso, insuficiência cardíaca importante na primeira infância é menos comum em uma CIA isolada.
O objetivo do diagnóstico não é apenas demonstrar um orifício no septo: é definir tipo anatômico, magnitude da repercussão sobre o coração direito, pressão pulmonar e possibilidade de fechamento espontâneo ou intervencionista.
Conceitos fundamentais
Direção do shunt
Padrão habitual: átrio esquerdo → átrio direito.
A direção decorre principalmente das diferenças de complacência ventricular e das resistências dos circuitos pulmonar e sistêmico, além do gradiente atrial.
O shunt aumenta o retorno ao ventrículo direito e o fluxo através da circulação pulmonar.
A consequência crônica é dilatação de átrio direito, ventrículo direito e artéria pulmonar.
Por que a CIA costuma ser bem tolerada na infância?
Os átrios são câmaras de baixa pressão.
A sobrecarga é predominantemente volumétrica, e não uma exposição direta do pulmão à pressão sistêmica.
Doença vascular pulmonar irreversível costuma surgir muito mais tardiamente que em grandes comunicações interventriculares.
Sintomas precoces importantes sugerem shunt grande, doença pulmonar associada, prematuridade, síndrome genética ou outra cardiopatia.
O sopro não é do defeito
A diferença de pressão entre os átrios é pequena e o fluxo através da CIA geralmente não produz sopro intenso.
O sopro sistólico ejetivo pulmonar decorre do aumento do volume de sangue atravessando a valva pulmonar.
Em shunts grandes, pode haver ruflar diastólico tricúspide por aumento do fluxo através da valva tricúspide.
Desdobramento fixo da segunda bulha
O aumento crônico do volume ejetado pelo ventrículo direito prolonga a ejeção pulmonar.
A variação respiratória do retorno venoso é compensada por variações inversas do shunt interatrial.
Resultado: o componente pulmonar da segunda bulha permanece atrasado de maneira relativamente constante durante inspiração e expiração.
Etiologia e fatores de risco
Origem
A CIA resulta de alterações do desenvolvimento embrionário do septo interatrial ou de estruturas adjacentes.
A maioria dos casos é esporádica e multifatorial.
Associações
Defeitos ostium primum fazem parte do espectro dos defeitos do septo atrioventricular e podem associar-se a alterações das valvas atrioventriculares.
Defeitos do seio venoso frequentemente se associam a retorno venoso pulmonar anômalo parcial.
Algumas formas familiares podem estar relacionadas a variantes genéticas, incluindo alterações em fatores de transcrição cardíacos.
Síndromes genéticas e outras cardiopatias podem coexistir, devendo a avaliação ser guiada pelo fenótipo e pelo ecocardiograma.
Quadro clínico
Apresentação típica na infância
Maioria assintomática.
Achado de sopro durante consulta de rotina é uma forma comum de diagnóstico.
Crescimento e desenvolvimento geralmente são normais em defeitos sem grande repercussão.
Sintomas possíveis em defeitos significativos
Intolerância ao exercício.
Fadiga.
Taquipneia.
Infecções respiratórias recorrentes.
Baixo ganho ponderal em alguns lactentes.
Insuficiência cardíaca é incomum na infância em CIA isolada, mas pode ocorrer em shunts grandes ou diante de comorbidades.
Ausculta clássica
Segunda bulha amplamente desdobrada e fixa.
Sopro sistólico ejetivo em foco pulmonar. Resulta do hiperfluxo pulmonar.
Ruflar mesodiastólico tricúspide pode surgir em shunts volumosos.
A intensidade do sopro não quantifica diretamente o tamanho anatômico do defeito.
Evolução sem correção
Dilatação progressiva das câmaras direitas.
Intolerância ao exercício.
Arritmias atriais, sobretudo em idades mais avançadas.
Hipertensão pulmonar.
Insuficiência cardíaca direita em doença avançada.
Embolia paradoxal pode ocorrer em circunstâncias que produzam shunt direita-esquerda transitório.
Síndrome de Eisenmenger é possível, porém incomum na infância em CIA isolada.
Diagnóstico
Quando suspeitar
Sopro sistólico pulmonar associado a desdobramento fixo da segunda bulha.
Dilatação inexplicada de câmaras direitas.
Achado incidental em ecocardiograma.
Criança com sintomas respiratórios ou intolerância ao exercício e sinais de hiperfluxo pulmonar.
Eletrocardiograma
CIA ostium secundum: pode mostrar desvio do eixo para a direita, bloqueio incompleto do ramo direito e sinais de sobrecarga ventricular direita.
CIA ostium primum: desvio do eixo para a esquerda é uma pista clássica.
Arritmias atriais são mais relevantes em pacientes mais velhos com defeitos não corrigidos.
Radiografia de tórax
Pequenos defeitos podem apresentar radiografia normal.
Defeitos hemodinamicamente significativos podem causar cardiomegalia por aumento de câmaras direitas.
Aumento da trama vascular pulmonar sugere hiperfluxo.
Artéria pulmonar principal pode estar proeminente.
Ecocardiografia transtorácica com Doppler
Exame fundamental para o diagnóstico.
Identifica localização e dimensões do defeito.
Demonstra direção do shunt.
Avalia dilatação do átrio e ventrículo direitos.
Estima pressão da artéria pulmonar.
Avalia função ventricular e lesões associadas.
Nos defeitos secundum, avalia bordas do septo para determinar viabilidade do fechamento percutâneo.
Ecocardiografia transesofágica e outras imagens
Ecocardiografia transesofágica pode ser utilizada para detalhamento anatômico e orientação de fechamento por dispositivo em situações selecionadas.
Ressonância magnética cardíaca ou tomografia computadorizada podem complementar casos complexos, especialmente suspeita de retorno venoso pulmonar anômalo ou anatomia do seio venoso.
Cateterismo cardíaco
Não é necessário rotineiramente para diagnosticar CIA simples.
Pode ser utilizado durante fechamento percutâneo.
É particularmente útil quando há dúvida sobre pressão pulmonar e resistência vascular pulmonar ou necessidade de avaliação hemodinâmica invasiva.
Quando medido invasivamente, o quociente entre fluxo pulmonar e sistêmico (Qp:Qs) auxilia na quantificação do shunt; valor > 1,5:1 caracteriza shunt hemodinamicamente relevante em muitos protocolos.
Diagnósticos diferenciais do achado auscultatório
Estenose pulmonar.
Sopro inocente de fluxo pulmonar.
Retorno venoso pulmonar anômalo parcial.
Outros defeitos com hiperfluxo pulmonar.
A presença do desdobramento fixo da segunda bulha favorece fortemente CIA no contexto adequado.
Classificações e estratificação
Ostium secundum
Mais comum.
Localiza-se na região da fossa oval.
Resulta de deficiência do septo primum e/ou desenvolvimento excessivo do septo secundum.
Pode apresentar fechamento espontâneo quando pequeno, especialmente na primeira infância.
É o único tipo clássico habitualmente elegível para fechamento percutâneo por dispositivo.
Ostium primum
Localiza-se na porção inferior do septo atrial, adjacente às valvas atrioventriculares.
Integra o espectro do defeito do septo atrioventricular.
Pode associar-se a fenda/alteração da valva atrioventricular esquerda e regurgitação.
Eletrocardiograma com eixo desviado para a esquerda é clássico.
Tratamento é cirúrgico.
Seio venoso
Geralmente localiza-se próximo à entrada da veia cava superior; forma inferior é menos frequente.
Forma rara decorrente de ausência parcial ou completa da parede entre seio coronário e átrio esquerdo.
Pode associar-se a veia cava superior esquerda persistente.
Correção é geralmente cirúrgica.
Forame oval patente não é CIA
Forame oval patente (FOP) representa persistência de comunicação potencial entre septo primum e septo secundum, sem deficiência verdadeira de tecido septal.
É extremamente frequente na população e não deve ser automaticamente classificado como comunicação interatrial.
Tratamento
Pequena CIA secundum sem repercussão
Acompanhamento cardiológico.
Muitos defeitos pequenos diagnosticados precocemente reduzem de tamanho ou fecham espontaneamente.
Ausência de dilatação do ventrículo direito é um elemento importante contra fechamento rotineiro.
Não há indicação de fechamento apenas pela presença anatômica de pequeno defeito sem repercussão, salvo situações especiais.
Indicação de fechamento
Principal indicação: shunt esquerda-direita significativo com sobrecarga volumétrica/dilatação de átrio e ventrículo direitos, mesmo na ausência de sintomas.
Qp:Qs > 1,5:1 é um parâmetro hemodinâmico frequentemente utilizado quando o fluxo é quantificado.
Sintomas atribuíveis ao shunt reforçam a indicação.
Em crianças assintomáticas com defeito significativo, o fechamento eletivo costuma ocorrer na primeira infância, frequentemente por volta de 3–5 anos, conforme anatomia e prática do centro.
Lactentes sintomáticos com insuficiência cardíaca, doença pulmonar crônica ou baixo ganho ponderal podem necessitar fechamento mais precoce.
Fechamento percutâneo
Preferido para CIA ostium secundum com anatomia favorável.
Exige dimensões e bordas adequadas para estabilização segura do dispositivo.
Evita esternotomia e circulação extracorpórea e costuma permitir menor tempo de internação.
Defeitos muito grandes, bordas inadequadas ou anatomia complexa podem não ser candidatos.
Fechamento cirúrgico
Indicado para ostium primum.
Indicado para defeitos do seio venoso.
Indicado para defeitos do seio coronário.
Indicado para CIA secundum não adequada ao dispositivo.
Permite correção simultânea de retorno venoso pulmonar anômalo e lesões valvares associadas.
Quando não fechar
Pequena CIA sem sobrecarga de câmaras direitas, na ausência de indicação especial.
Doença vascular pulmonar irreversível com shunt predominantemente direita-esquerda não deve ser fechada de forma indiscriminada.
Pacientes com hipertensão pulmonar importante exigem avaliação hemodinâmica especializada antes de qualquer decisão.
O fechamento de uma comunicação que funciona como via de descompressão em fisiologia pulmonar avançada pode causar deterioração grave.
Seguimento
Após fechamento, avaliar shunt residual, função ventricular, pressão pulmonar e complicações do dispositivo ou cirurgia.
Pacientes com hipertensão pulmonar, arritmias, lesões residuais ou cardiopatias associadas necessitam seguimento mais próximo.
O prognóstico após fechamento oportuno na infância é geralmente excelente.
Conduta na urgência e emergência
CIA isolada raramente é emergência
A maioria das crianças é diagnosticada eletivamente.
Insuficiência cardíaca grave no lactente deve motivar pesquisa de grande shunt, doença pulmonar, prematuridade ou cardiopatia associada.
Cianose persistente não é característica de CIA simples com shunt esquerda-direita.
Paciente com cianose e CIA conhecida
Confirmar saturação e estabilidade clínica.
Avaliar sinais de hipertensão pulmonar, insuficiência cardíaca e outras cardiopatias.
Realizar ecocardiografia com Doppler.
Considerar inversão do shunt ou fisiologia complexa; não assumir que a CIA isoladamente explica a cianose.
Evitar fechamento precipitado se houver suspeita de doença vascular pulmonar avançada.
Algoritmos e fluxogramas
Sopro sugestivo de CIA
Identificar sopro sistólico ejetivo em foco pulmonar.
Pesquisar desdobramento amplo e fixo da segunda bulha.
Solicitar eletrocardiograma e ecocardiograma com Doppler.
Confirmar tipo anatômico e repercussão sobre câmaras direitas.
Sem repercussão significativa → acompanhamento.
Sobrecarga de ventrículo direito/shunt significativo → planejar fechamento.
Secundum com anatomia adequada → fechamento percutâneo preferencial.
Primum, seio venoso, seio coronário ou secundum inadequada → cirurgia.
CIA + hipertensão pulmonar
Confirmar magnitude da hipertensão pulmonar.
Avaliar direção do shunt.
Avaliar resistência vascular pulmonar em centro especializado quando necessário.
Se doença vascular pulmonar potencialmente irreversível → não indicar fechamento automático.
Definir conduta em conjunto com cardiologia congênita/hipertensão pulmonar.
Imagens e achados
Ecocardiograma
CIA secundum: defeito na região central da fossa oval.
CIA primum: defeito inferior próximo às valvas atrioventriculares.
Seio venoso: defeito superior ou inferior próximo às conexões das veias cavas.
Dilatação de átrio e ventrículo direitos é marcador central de repercussão hemodinâmica.
Doppler colorido demonstra direção e extensão do fluxo interatrial.
Radiografia
Hiperfluxo pulmonar com aumento das marcas vasculares.
Proeminência do tronco pulmonar.
Cardiomegalia direita nos defeitos significativos.
Radiografia pode ser normal em pequenos defeitos.
Eletrocardiograma
Secundum: bloqueio incompleto do ramo direito e eixo frequentemente à direita.
Primum: eixo à esquerda é achado clássico de prova.
Sobrecarga de câmaras direitas pode acompanhar shunts significativos.
O que mais cai
Desdobramento amplo e FIXO da segunda bulha = achado clássico da CIA.
O sopro sistólico pulmonar decorre de hiperfluxo pela valva pulmonar, não do fluxo diretamente através do defeito.
CIA ostium secundum é o tipo mais comum.
Secundum localiza-se na fossa oval.
Secundum: eixo tende à direita + bloqueio incompleto do ramo direito.
Primum: eixo desviado para a esquerda.
Primum faz parte do espectro do defeito do septo atrioventricular.
Seio venoso associa-se a retorno venoso pulmonar anômalo parcial.
Ecocardiograma com Doppler confirma e avalia repercussão.
Dilatação do ventrículo direito é uma indicação central de fechamento em shunt significativo.
Qp:Qs > 1,5:1 é parâmetro clássico de shunt significativo quando quantificado.
Somente a CIA secundum é habitualmente candidata ao fechamento percutâneo.
Primum e seio venoso geralmente requerem cirurgia.
Pequenos defeitos secundum podem fechar espontaneamente.
Hipertensão pulmonar vascular irreversível pode contraindicar fechamento.
Forame oval patente não é sinônimo de CIA.
Erros comuns
Confundir forame oval patente com comunicação interatrial verdadeira.
Atribuir o sopro ao fluxo através do defeito septal.
Esquecer que a segunda bulha apresenta desdobramento fixo.
Presumir que toda CIA necessita fechamento.
Indicar fechamento apenas pelo diâmetro sem avaliar repercussão do ventrículo direito.
Considerar todos os tipos de CIA candidatos ao fechamento percutâneo.
Confundir ostium primum com ostium secundum.
Esquecer o eixo esquerdo típico do ostium primum.
Esquecer a associação entre seio venoso e retorno venoso pulmonar anômalo parcial.
Interpretar cianose como manifestação habitual de CIA simples na infância.
Fechar indiscriminadamente uma CIA diante de hipertensão pulmonar avançada.
Ignorar a possibilidade de fechamento espontâneo de pequenos defeitos secundum.
Para lembrar
CIA = shunt geralmente AE → AD.
2ª bulha FIXA e desdobrada.
Sopro = hiperfluxo pulmonar.
SECUNDUM = fossa oval + eixo direito + pode fechar por dispositivo.
PRIMUM = inferior + eixo esquerdo + cirurgia.
SEIO VENOSO = pense em retorno venoso pulmonar anômalo.
Eco define anatomia + repercussão + bordas.
VD dilatado = pense em fechamento.
Pequena sem sobrecarga direita = acompanhar.
Qp:Qs > 1,5:1 = shunt significativo clássico.
Hipertensão pulmonar irreversível = cuidado: fechamento pode ser contraindicado.
FOP ≠ CIA.
Referências
1.
Fraisse A, Latchman M, Sharma SR, et al..
Atrial Septal Defect Closure: Indications and Contra-indications.
Journal of Thoracic Disease / PubMed Central, 2018.