Pólipos Endometriais e Endocervicais — MedVerse · MedVerse
Resumo HARD · Atualizado em 15 de set. de 2026
Pólipos Endometriais e Endocervicais
Diagnóstico intracavitário, histeroscopia e critérios para polipectomia
Arthur MedVerse
·28 min de leitura·Intermediário
Neste artigo
Resumo executivo
Pólipos endometriais são projeções focais do endométrio compostas por glândulas, estroma e vasos ao redor de um eixo vascular. Pólipos endocervicais são projeções benignas originadas do canal cervical. Ambos podem ser assintomáticos ou causar sangramento uterino anormal.
Na classificação PALM-COEIN, o pólipo endometrial corresponde ao P do grupo estrutural PALM. A manifestação mais típica é sangramento intermenstrual ou menstrual anormal; no pós-menopausa, qualquer sangramento exige investigação adequada, pois o risco de lesão pré-maligna ou maligna aumenta com idade, menopausa e sintomas.
A ultrassonografia transvaginal é o exame inicial para suspeita de pólipo endometrial. Histerossonografia com infusão salina melhora a avaliação de lesões focais intracavitárias. A histeroscopia permite visualização direta, biópsia dirigida e tratamento no mesmo procedimento.
Pólipos endometriais pequenos e assintomáticos em pacientes pré-menopáusicas de baixo risco podem ser observados em situações selecionadas. A polipectomia é indicada sobretudo em pacientes sintomáticas, pós-menopáusicas com sangramento, quando há fatores de risco para malignidade ou quando a lesão interfere na avaliação/reprodução conforme contexto.
Quando indicada, a polipectomia histeroscópica é preferível à curetagem uterina às cegas, pois permite remoção dirigida e envio do material para anatomopatológico. Consenso FIGO-GCH de 2025 recomenda substituir progressivamente procedimentos intrauterinos cegos por abordagem guiada por histeroscopia sempre que viável.
Pólipos endocervicais visualizados ao exame especular são frequentemente removidos por torção/avulsão do pedículo quando sintomáticos ou indicados para avaliação; o material deve ser encaminhado para histopatologia. Lesões atípicas, base larga, recorrentes, pós-menopausa ou suspeitas exigem investigação do canal cervical e/ou cavidade uterina.
Objetivos de aprendizagem
01
Definir pólipos endometriais e endocervicais.
02
Relacionar pólipo endometrial ao componente P do PALM-COEIN.
03
Reconhecer os padrões de sangramento associados.
04
Selecionar ultrassonografia transvaginal, histerossonografia e histeroscopia de forma racional.
05
Reconhecer fatores associados a maior risco de malignidade em pólipos endometriais.
06
Definir quando a conduta expectante pode ser considerada.
07
Reconhecer indicações de polipectomia.
08
Entender por que a remoção histeroscópica é superior à curetagem às cegas para lesões focais.
09
Organizar a abordagem do pólipo endocervical.
10
Reconhecer a importância do estudo anatomopatológico do material removido.
Visão rápida
Definição
Pólipo endometrial é crescimento focal intracavitário do endométrio; pólipo endocervical origina-se do canal cervical.
Como reconhecer
Sangramento intermenstrual/pós-coital ou pós-menopausa + lesão focal ao USG, histeroscopia ou exame especular.
Conduta principal
Baixo risco e assintomático: observar em casos selecionados; sintomático/alto risco: remover, preferencialmente sob visão direta.
Pérola de prova
Pólipo endometrial = P do PALM; histeroscopia permite diagnóstico e tratamento dirigidos.
Introdução
Pólipos do trato genital são causas frequentes de sangramento anormal. O pólipo endometrial é uma lesão intracavitária focal, enquanto o endocervical surge no canal cervical e pode protruir pelo orifício externo.
A maioria é benigna, mas o risco de neoplasia não é uniforme. Idade avançada, pós-menopausa e sangramento aumentam a necessidade de avaliação histológica cuidadosa.
O princípio moderno é evitar procedimentos cegos para uma lesão focal quando a visualização direta está disponível.
Conceitos fundamentais
Pólipo endometrial
Proliferação focal de glândulas e estroma endometriais ao redor de vasos característicos.
Pode ser séssil ou pediculado, único ou múltiplo.
Pode coexistir com hiperplasia endometrial ou outras causas de sangramento.
Pólipo endocervical
Origina-se da mucosa do canal endocervical.
Pode protruir pelo colo e ser identificado diretamente ao exame especular.
Geralmente é benigno, mas aspecto atípico exige avaliação adicional.
PALM-COEIN
Pólipo endometrial corresponde ao P do PALM.
PALM reúne causas estruturais do sangramento uterino anormal.
Etiologia e fatores de risco
Associações dos pólipos endometriais
Maior frequência com aumento da idade.
Exposição estrogênica e fatores hormonais participam da fisiopatologia.
Uso de tamoxifeno associa-se a alterações endometriais, incluindo pólipos.
Obesidade e hipertensão aparecem como fatores associados em diferentes estudos.
Maior preocupação com malignidade
Pós-menopausa.
Sangramento uterino anormal, especialmente pós-menopausa.
Idade avançada.
Lesões com achados clínicos ou de imagem suspeitos.
Fatores individuais para hiperplasia/câncer endometrial devem ser considerados.
Pólipo endocervical
Etiologia não é completamente definida.
Inflamação crônica e estímulo hormonal são mecanismos propostos.
Recorrência ou aspecto incomum deve motivar reavaliação diagnóstica.
Quadro clínico
Pólipo endometrial
Frequentemente assintomático.
Sangramento intermenstrual é apresentação clássica.
Sangramento menstrual intenso ou irregular pode ocorrer.
Sangramento pós-menopausa é uma apresentação importante.
Pode ser encontrado durante investigação de infertilidade.
Pólipo endocervical
Pode ser assintomático.
Sangramento pós-coital.
Sangramento intermenstrual.
Pequena hemorragia ao contato.
Corrimento pode ocorrer quando há inflamação associada.
Exame especular
Pólipo endocervical pode aparecer como estrutura avermelhada ou rósea protrusa pelo orifício cervical.
Lesão friável, irregular, necrótica, de base ampla ou com aparência suspeita não deve ser presumida como pólipo benigno sem investigação.
Diagnóstico
Ultrassonografia transvaginal
É o exame inicial mais utilizado para investigação da cavidade uterina.
Pólipo pode aparecer como lesão focal endometrial, frequentemente ecogênica.
Doppler pode demonstrar vaso nutridor único, achado que favorece pólipo.
Desempenho depende do momento do ciclo, tamanho e características da lesão.
Histerossonografia
Infusão de solução salina distende a cavidade e delineia lesões focais.
É útil quando ultrassonografia convencional não define adequadamente pólipo versus espessamento difuso ou mioma submucoso.
Histeroscopia
Permite visualização direta da cavidade uterina.
Possibilita diagnóstico, biópsia dirigida e polipectomia no mesmo procedimento.
Em pacientes pré-menopáusicas com ciclos regulares, a fase folicular após a menstruação favorece visualização.
Gestação deve ser razoavelmente excluída antes do procedimento.
Histopatologia
Material removido deve ser encaminhado para avaliação histológica.
É o método que define presença de hiperplasia, atipia ou malignidade no pólipo.
Lesões focais podem ser perdidas por amostragem endometrial cega.
Pólipo endocervical
Diagnóstico frequentemente é clínico pelo exame especular.
Quando a origem não é clara, ultrassonografia e/ou histeroscopia ajudam a excluir pólipo endometrial prolapsado.
Citologia/rastreamento cervical devem estar adequados à faixa etária e às recomendações vigentes, mas não substituem histologia de lesão suspeita.
Diagnósticos diferenciais
Mioma submucoso.
Hiperplasia endometrial focal ou difusa.
Câncer endometrial.
Pólipo endometrial prolapsado pelo colo.
Neoplasia cervical.
Produtos retidos da concepção no contexto apropriado.
Classificações e estratificação
Estratificação clínica prática
Baixo risco: pré-menopausa, assintomática, pólipo pequeno e ausência de fatores relevantes para malignidade.
Maior risco: pós-menopausa, sangramento, idade avançada ou fatores clínicos/endometriais de risco.
Lesão suspeita: aspecto irregular/atípico ou achados de imagem preocupantes → avaliação dirigida e histologia.
Mensagem importante
Não existe um único tamanho isolado que substitua avaliação de sintomas, idade, menopausa e risco oncológico.
A decisão entre observação e remoção deve ser individualizada.
Tratamento
Conduta expectante
Pode ser considerada para alguns pólipos endometriais pequenos e assintomáticos em pacientes pré-menopáusicas de baixo risco.
Regressão espontânea pode ocorrer, especialmente em pólipos menores.
Seguimento deve ser individualizado.
Indicações frequentes de remoção
Sangramento uterino anormal atribuído ao pólipo.
Sangramento pós-menopausa com pólipo.
Fatores de risco ou suspeita de malignidade.
Necessidade de diagnóstico histológico dirigido.
Infertilidade ou perdas gestacionais recorrentes em cenários selecionados após avaliação individual.
Polipectomia histeroscópica
É a abordagem preferencial quando se decide remover pólipo endometrial.
Permite ressecção sob visão direta.
Pode ser realizada em consultório em pacientes e lesões adequadamente selecionadas.
Material deve ser enviado para anatomopatológico.
Evitar abordagem cega
Curetagem uterina às cegas pode falhar em remover completamente uma lesão focal.
FIGO-GCH recomenda, quando viável, substituir procedimentos intrauterinos cegos por técnicas guiadas por histeroscopia.
Se histeroscopia não estiver disponível, ultrassonografia transvaginal e histerossonografia podem auxiliar avaliação e planejamento.
Pólipo endocervical
Pólipo pequeno, pediculado e sintomático pode ser removido ambulatorialmente por técnica apropriada.
A base deve ser avaliada e hemostasia realizada quando necessária.
Material removido deve ser enviado para histopatologia.
Base larga, dificuldade de remoção, recorrência ou suspeita de origem intrauterina justificam avaliação especializada/histeroscópica.
Antibioticoprofilaxia
Não é recomendada rotineiramente para procedimentos histeroscópicos em pacientes sem indicação específica.
Conduta na urgência e emergência
Sangramento importante
Avaliar estabilidade hemodinâmica.
Excluir gestação quando aplicável.
Obter hemograma e demais exames conforme gravidade.
Tratar o sangramento uterino agudo segundo protocolo específico.
Não atrasar estabilização para realizar histeroscopia eletiva.
Após estabilização, confirmar se a lesão focal é responsável pelo sangramento e programar tratamento dirigido.
Ponto-chave
Pólipos isolados raramente constituem emergência; a urgência decorre da intensidade do sangramento ou de outro diagnóstico concomitante.