Panorama Geral do Câncer de Endométrio — MedVerse · MedVerse
Resumo HARD · Atualizado em 02 de set. de 2026
Panorama Geral do Câncer de Endométrio
Fatores de risco, apresentação clínica, classificação molecular, FIGO 2023 e princípios terapêuticos
Arthur MedVerse
·75 min de leitura·Avançado
Neste artigo
Resumo executivo
Câncer de endométrio é a neoplasia maligna que se origina no revestimento endometrial do corpo uterino. O carcinoma endometrioide é o subtipo histológico mais frequente, enquanto carcinomas serosos, de células claras, carcinosarcomas e outros histotipos agressivos apresentam comportamento biológico distinto e maior risco de recorrência.
A doença ocorre predominantemente após a menopausa e possui forte relação, em grande parte dos tumores endometrioides, com exposição estrogênica não contraposta por progesterona. Obesidade, anovulação crônica, nuliparidade, menarca precoce, menopausa tardia, uso de estrogênio isolado e tamoxifeno são fatores de risco relevantes. A síndrome de Lynch é a principal síndrome hereditária associada.
Sangramento uterino anormal é a manifestação clínica mais importante. Em mulheres após a menopausa, qualquer sangramento vaginal deve ser investigado. Em mulheres ainda menstruadas, sangramento intermenstrual, aumento anormal do fluxo ou padrão persistente de sangramento também podem ser apresentações.
Não existe recomendação para rastreamento populacional de rotina em mulheres assintomáticas de risco habitual. A estratégia é o diagnóstico precoce pela investigação adequada dos sintomas, especialmente o sangramento pós-menopausa.
A avaliação diagnóstica pode incluir ultrassonografia transvaginal, histeroscopia e, fundamentalmente, amostragem histológica do endométrio. O diagnóstico definitivo é anatomopatológico. O algoritmo específico de sangramento pós-menopausa será aprofundado no próximo HARD da trilha.
O sistema da Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO) foi atualizado em 2023 e passou a integrar com maior precisão histotipo, grau, profundidade de invasão miometrial, invasão linfovascular, extensão anatômica e classificação molecular. A doença não é mais entendida apenas pela anatomia.
A classificação molecular é hoje parte central da estratificação prognóstica. Os quatro grandes grupos são: tumores com mutação patogênica em POLE, tumores com deficiência do reparo de incompatibilidades do DNA, tumores sem perfil molecular específico e tumores com p53 anormal. Em linhas gerais, POLE mutado associa-se a prognóstico excelente, enquanto p53 anormal identifica um grupo biologicamente mais agressivo.
As diretrizes ESGO–ESTRO–ESP 2025 recomendam classificação molecular para todos os tipos de carcinoma endometrial, com especial relevância nos tumores de alto grau. A pesquisa de deficiência do reparo de incompatibilidades também é fundamental para triagem de síndrome de Lynch e para decisões terapêuticas em doença avançada.
Na doença aparentemente restrita ao útero, o tratamento padrão é cirúrgico, com histerectomia total + salpingo-ooforectomia bilateral + estadiamento linfonodal. A abordagem minimamente invasiva é preferida na maioria dos casos operáveis, e a biópsia do linfonodo sentinela ocupa papel central no estadiamento nodal contemporâneo.
A necessidade de tratamento adjuvante depende do risco integrado anatômico, histológico e molecular. Pacientes de baixo risco podem não necessitar adjuvância; grupos intermediários podem receber braquiterapia vaginal; grupos de maior risco podem necessitar radioterapia externa, quimioterapia ou combinação de modalidades.
Doença avançada ou recorrente exige tratamento individualizado. Carboplatina e paclitaxel permanecem base quimioterápica importante, mas a incorporação de imunoterapia, terapias dirigidas, biomarcadores de reparo do DNA, HER2 e receptores hormonais modificou significativamente o tratamento sistêmico contemporâneo.
Mensagem de prova: mulher pós-menopausa com sangramento vaginal → investigar endométrio. Diagnóstico é histológico. Tratamento inicial do tumor uterino operável é cirúrgico, e a estratificação moderna deve integrar FIGO 2023 + histologia + classificação molecular.
Objetivos de aprendizagem
01
Definir câncer de endométrio e reconhecer sua epidemiologia clínica.
02
Identificar fatores de risco relacionados à exposição estrogênica e à predisposição hereditária.
03
Reconhecer sangramento vaginal anormal como principal manifestação.
04
Entender por que não há rastreamento populacional de rotina para mulheres assintomáticas de risco habitual.
05
Organizar a investigação inicial diante de suspeita de neoplasia endometrial.
06
Reconhecer os principais histotipos e sua importância prognóstica.
07
Compreender a classificação molecular contemporânea do câncer de endométrio.
08
Identificar a relação entre deficiência do reparo de incompatibilidades e síndrome de Lynch.
09
Conhecer os princípios do estadiamento FIGO 2023.
10
Compreender a cirurgia padrão e o papel do linfonodo sentinela.
11
Relacionar grupo de risco à necessidade de tratamento adjuvante.
12
Reconhecer os princípios do tratamento da doença avançada ou recorrente.
Visão rápida
Definição
Neoplasia maligna originada no endométrio, mais frequentemente do tipo endometrioide, com estratificação atual baseada em anatomia, histologia e biologia molecular.
Como reconhecer
Sangramento vaginal anormal, especialmente sangramento pós-menopausa, é o principal sinal de alerta.
Conduta principal
Confirmar histologia; estadiar e classificar molecularmente; doença uterina operável geralmente é tratada com histerectomia total, salpingo-ooforectomia bilateral e estadiamento linfonodal.
Pérola de prova
Não existe rastreamento populacional de rotina no risco habitual; a chave é investigar prontamente o sangramento pós-menopausa.
Introdução
O câncer de endométrio é a principal neoplasia maligna do corpo uterino e deve ser distinguido dos sarcomas uterinos, que se originam predominantemente do miométrio ou do estroma e possuem biologia e manejo diferentes.
A disponibilidade de um sintoma precoce — sangramento vaginal anormal — permite que muitos tumores sejam identificados ainda confinados ao útero. Isso explica por que uma proporção relevante dos casos apresenta prognóstico favorável quando diagnosticada e tratada precocemente.
Nas últimas décadas, o entendimento do câncer endometrial migrou de uma classificação predominantemente histológica para um modelo integrado anatomopatológico e molecular, com impacto real sobre estadiamento, risco de recorrência e seleção terapêutica.
Conceitos fundamentais
Endométrio e carcinogênese
O endométrio é um tecido responsivo a estrogênio e progesterona.
Estímulo estrogênico persistente sem oposição progestagênica favorece proliferação endometrial.
Em tumores endometrioides, hiperplasia endometrial atípica/neoplasia intraepitelial endometrial pode funcionar como lesão precursora.
Nem todos os carcinomas endometriais seguem via estrogênio-dependente; histotipos agressivos apresentam biologia distinta.
Modelo histórico tipo I versus tipo II
Tipo I: classicamente endometrioide, relacionado à exposição estrogênica, obesidade e hiperplasia.
Tipo II: classicamente seroso e outros histotipos agressivos, menos relacionados ao hiperestrogenismo.
Esse modelo ainda ajuda na compreensão de provas antigas, mas é insuficiente para a prática moderna.
A classificação molecular atual substitui progressivamente essa dicotomia como ferramenta prognóstica e terapêutica.
Diagnóstico histológico
O diagnóstico definitivo requer tecido endometrial.
A amostra permite definir histotipo e grau.
A avaliação anatomopatológica deve ser complementada por biomarcadores moleculares conforme diretrizes contemporâneas.
Citologia cervical não é exame de rastreamento para câncer endometrial.
Biologia molecular
A estratificação contemporânea considera quatro grupos moleculares principais.
O grupo molecular pode modificar prognóstico mesmo dentro do mesmo histotipo e estágio anatômico.
A classificação molecular deve ser integrada, e não interpretada isoladamente, com os demais fatores patológicos.
Etiologia e fatores de risco
Exposição estrogênica não contraposta
Obesidade: aromatização periférica no tecido adiposo aumenta estrogênios biodisponíveis.
Anovulação crônica, incluindo síndrome dos ovários policísticos.
Menarca precoce.
Menopausa tardia.
Nuliparidade.
Uso de estrogênio sistêmico isolado em mulher com útero.
Obesidade e metabolismo
Obesidade é um dos fatores modificáveis mais importantes.
Além do aumento de estrogênio periférico, hiperinsulinemia, resistência à insulina e inflamação crônica podem contribuir.
Diabetes e síndrome metabólica frequentemente coexistem e se associam ao risco, em parte mediado pelo excesso de peso.
Tamoxifeno
Tamoxifeno exerce efeito antiestrogênico mamário, mas pode apresentar atividade estrogênica no endométrio.
O uso prolongado associa-se a aumento do risco de câncer endometrial.
Sangramento anormal em usuária de tamoxifeno deve ser investigado.
Não se indica biópsia endometrial periódica em toda usuária assintomática apenas pela exposição ao fármaco.
Predisposição hereditária
A síndrome de Lynch é a principal síndrome hereditária associada ao câncer de endométrio.
Decorre de variantes germinativas em genes do sistema de reparo de incompatibilidades do DNA, como MLH1, MSH2, MSH6 e PMS2, ou alterações relacionadas a EPCAM em contextos específicos.
Câncer endometrial pode ser a primeira neoplasia sentinela de síndrome de Lynch em uma paciente.
História pessoal e familiar de câncer colorretal, endometrial e outros tumores associados aumenta a suspeita.
Fatores associados a menor risco
Contraceptivos hormonais combinados reduzem o risco de câncer endometrial, com efeito protetor que pode persistir após a suspensão.
Maior número de gestações associa-se a menor risco.
A lactação também se associa a redução de risco.
Atividade física contribui para redução de risco, especialmente pela relação com controle ponderal e metabolismo.
Quadro clínico
Manifestação clássica
Sangramento vaginal pós-menopausa é o sinal de alerta mais importante.
Mesmo pequeno volume ou episódio único após a menopausa merece investigação.
O sangramento pode ser aquoso, rosado, vermelho ou escurecido.
Na pré-menopausa/perimenopausa
Sangramento intermenstrual.
Sangramento uterino aumentado ou prolongado.
Mudança persistente do padrão menstrual.
Em mulheres mais jovens, obesidade, anovulação crônica e outros fatores de risco reduzem o limiar para investigação endometrial.
Doença mais avançada
Leucorreia anormal.
Dor pélvica ou hipogástrica.
Aumento do volume abdominal.
Perda ponderal.
Sintomas urinários ou intestinais podem ocorrer por extensão local.
O que não tranquiliza
Pequena quantidade de sangue após a menopausa.
Sangramento aparentemente autolimitado.
Uso de anticoagulante sem avaliação de causa ginecológica.
Uso de tamoxifeno sem investigação de novo sangramento.
Citologia cervical recente normal.
Diagnóstico
Princípio
O objetivo é obter confirmação histológica e, após o diagnóstico, caracterizar extensão e risco.
Ultrassonografia transvaginal pode auxiliar na avaliação do endométrio, especialmente no sangramento pós-menopausa.
A amostragem endometrial é a etapa confirmatória fundamental quando indicada.
Métodos de amostragem
Biópsia endometrial ambulatorial pode ser utilizada quando tecnicamente adequada.
Histeroscopia permite inspeção direta da cavidade e biópsia dirigida.
Curetagem pode ser utilizada em situações específicas.
Amostra insuficiente em paciente de alto risco ou com sangramento persistente não deve encerrar a investigação.
Ultrassonografia transvaginal
É útil na avaliação inicial de sangramento pós-menopausa em contextos apropriados.
A espessura endometrial deve ser interpretada dentro do contexto clínico.
Persistência ou recorrência de sangramento pode exigir avaliação histológica mesmo quando o primeiro exame foi pouco sugestivo.
O algoritmo completo de espessura endometrial será tratado no HARD Sangramento Pós-Menopausa.
Após confirmação do câncer
Revisar histotipo e grau.
Documentar invasão miometrial, estroma cervical e invasão linfovascular quando disponíveis.
Avaliar risco de síndrome de Lynch por estudo do sistema de reparo de incompatibilidades e investigação genética quando indicada.
Planejar estadiamento cirúrgico e exames de imagem conforme risco.
Imagem para estadiamento
Ressonância magnética (RM) da pelve pode ajudar a estimar invasão miometrial e cervical.
Tomografia computadorizada (TC) de tórax/abdome/pelve é utilizada conforme risco de doença extrauterina.
Tomografia por emissão de pósitrons associada à TC pode ser útil em situações selecionadas de doença de alto risco ou suspeita de metástases.
Imagem pré-operatória não substitui o estadiamento patológico.
Rastreamento
Não existe recomendação de rastreamento populacional de rotina para mulheres assintomáticas de risco habitual.
Ultrassonografia ou biópsia endometrial periódica em mulheres assintomáticas não constitui estratégia de rastreamento de rotina.
Pessoas com síndromes hereditárias de alto risco seguem aconselhamento e vigilância específicos.
Classificações e estratificação
Histotipos principais
Carcinoma endometrioide: subtipo mais comum.
Carcinoma seroso: histotipo agressivo, frequentemente associado a p53 anormal.
Carcinoma de células claras: histotipo agressivo.
Carcinossarcoma: tumor epitelial de alto grau com componente sarcomatoso, classificado e tratado no espectro dos carcinomas endometriais agressivos.
Carcinomas indiferenciados/dediferenciados, mistos, mesonéfrico-like e outros subtipos raros também existem.
Grau histológico
Nos carcinomas endometrioides, grau tumoral continua relevante.
Baixo grau corresponde classicamente aos graus 1 e 2.
Alto grau inclui carcinoma endometrioide grau 3 e histotipos agressivos.
O grau deve ser integrado com histotipo, invasão, estágio e perfil molecular.
Classificação molecular — POLE mutado
Mutação patogênica no domínio exonuclease de POLE.
Associado, em geral, a prognóstico muito favorável.
Pode ocorrer mesmo em tumores histologicamente de alto grau.
Em classificadores múltiplos, mutação patogênica de POLE tem prioridade classificatória sobre deficiência de reparo ou p53 anormal.
Classificação molecular — deficiência do reparo de incompatibilidades
Deficiência do reparo de incompatibilidades do DNA (MMRd) pode ser demonstrada por imuno-histoquímica das proteínas de reparo.
Pode refletir alteração esporádica, como metilação de MLH1, ou síndrome de Lynch.
Possui relevância prognóstica e preditiva de resposta à imunoterapia em doença avançada.
Casos com MMRd e p53 anormal são classificados prioritariamente como MMRd.
Classificação molecular — sem perfil molecular específico
Sem perfil molecular específico (NSMP) corresponde aos tumores sem mutação patogênica de POLE, sem MMRd e sem padrão p53 anormal.
É um grupo heterogêneo.
Grau e expressão do receptor de estrogênio refinam a estratificação prognóstica nas diretrizes mais recentes.
Classificação molecular — p53 anormal
P53 anormal (p53abn) associa-se frequentemente a mutação de TP53.
É comum em carcinoma seroso, mas não exclusivo desse histotipo.
Em geral associa-se a pior prognóstico e maior risco de recorrência.
O status de p53 pode ser avaliado por imuno-histoquímica e, em cenários equivocados/heterogêneos, por análise de TP53.
FIGO 2023 — visão geral
Estágio I: doença restrita ao corpo uterino, com subgrupos definidos por histotipo, invasão miometrial e invasão linfovascular.
Estágio II: doença ainda uterina, mas com invasão do estroma cervical, invasão linfovascular substancial em histologia não agressiva ou histologia agressiva com invasão miometrial.
Estágio III: disseminação local ou regional, incluindo serosa/anexos, vagina/paramétrios/peritônio pélvico ou linfonodos pélvicos/para-aórticos.
Estágio IVA: invasão de mucosa vesical e/ou intestinal.
Estágio IVB: metástase peritoneal além da pelve.
Estágio IVC: metástase à distância.
Detalhes de prova do estágio I e II
IA1: carcinoma endometrioide não agressivo limitado a pólipo ou endométrio, sem invasão miometrial.
IA2: carcinoma endometrioide não agressivo com invasão miometrial <50% e invasão linfovascular ausente ou focal.
IA3: situação específica de carcinoma endometrioide de baixo grau envolvendo endométrio e ovário sob critérios definidos.
IB: carcinoma endometrioide não agressivo com invasão miometrial ≥50% e invasão linfovascular ausente ou focal.
IC: histotipo agressivo limitado a pólipo ou endométrio, sem invasão miometrial.
IIA: invasão do estroma cervical por histotipo não agressivo.
IIB: invasão linfovascular substancial em histotipo não agressivo.
IIC: histotipo agressivo com qualquer invasão miometrial.
Tratamento
Princípio geral
O tratamento depende de estágio, histotipo, grau, invasão linfovascular, estado linfonodal e classificação molecular.
Casos de alto risco e doença avançada devem ser discutidos em equipe multidisciplinar especializada.
Planejamento inadequado pode levar a cirurgia incompleta ou adjuvância excessiva.
Cirurgia padrão — doença estágio I/II presumida
Histerectomia total.
Salpingo-ooforectomia bilateral.
Estadiamento linfonodal.
A abordagem minimamente invasiva é preferida na maioria dos casos, inclusive muitos tumores de alto risco, quando não há contraindicação.
Deve-se evitar ruptura tumoral e morcelação.
Linfonodo sentinela
A biópsia do linfonodo sentinela é recomendada pelas diretrizes ESGO–ESTRO–ESP 2025 para estadiamento de pacientes com doença presumidamente confinada ao útero.
Verde de indocianina com injeção cervical é a técnica de detecção preferida nas diretrizes europeias.
Linfonodos sentinela devem ser submetidos a ultrastaging patológico.
Falha de mapeamento pode exigir linfadenectomia específica conforme grupo de risco.
Omentectomia
É indicada no estadiamento de determinados histotipos agressivos, como carcinoma seroso, carcinosarcoma e carcinoma indiferenciado, conforme diretriz.
Não é necessária rotineiramente em todos os carcinomas endometriais.
Adjuvância — baixo risco
Pacientes de baixo risco podem não necessitar tratamento adjuvante.
A classificação molecular pode permitir desescalonamento em determinados tumores POLE mutados.
A decisão deve seguir grupo de risco integrado.
Adjuvância — risco intermediário
Braquiterapia vaginal pode ser considerada para reduzir recorrência vaginal em grupos selecionados.
Em alguns pacientes de menor risco dentro da categoria intermediária, observação pode ser uma opção.
Idade, grau e estadiamento nodal influenciam a decisão.
Adjuvância — alto-intermediário e alto risco
Radioterapia externa pode ser recomendada para otimizar controle pélvico no alto-intermediário.
Em alto risco, quimioterapia e radioterapia podem ser combinadas ou sequenciadas.
Carboplatina + paclitaxel é o regime quimioterápico padrão mais utilizado.
Nos tumores MMRd de estágio avançado, a imunoterapia passou a integrar estratégias sistêmicas contemporâneas.
Doença avançada ou recorrente
Cirurgia citorredutora pode ser considerada quando ressecção macroscópica completa é factível com morbidade aceitável.
Doença irressecável pode receber tratamento sistêmico e/ou radioterapia conforme extensão e perfil molecular.
Carboplatina + paclitaxel permanece base de primeira linha em muitos cenários.
Imunoterapia tem papel especialmente importante em tumores com deficiência do reparo de incompatibilidades.
Pembrolizumabe + lenvatinibe é opção importante em tumores não-MMRd após exposição prévia apropriada, conforme cenário clínico e diretriz.
Terapias anti-HER2 podem ser consideradas em tumores com superexpressão de HER2, especialmente determinados carcinomas serosos/p53abn.
Hormonioterapia
Pode ser particularmente útil em doença recorrente/avançada de baixo grau, receptor de estrogênio positivo, baixo volume e crescimento lento.
Progestagênios são opções clássicas.
Inibidores de aromatase e outras estratégias endócrinas podem ser utilizados em cenários selecionados.
Expressão de receptor de estrogênio tem valor preditivo para resposta endócrina.
Preservação de fertilidade
Não é tratamento padrão para a maioria das pacientes.
Pode ser considerada apenas em pacientes muito selecionadas, geralmente com carcinoma endometrioide de baixo grau e doença confinada ao endométrio, após avaliação especializada.
Exige exclusão cuidadosa de doença invasiva/extrauterina, aconselhamento e seguimento intensivo.
O manejo conservador deve seguir diretriz específica de preservação de fertilidade.
Algoritmos e fluxogramas
Suspeita clínica de câncer de endométrio
Reconhecer sangramento uterino anormal, especialmente pós-menopausa.
Realizar avaliação ginecológica e definir necessidade de ultrassonografia transvaginal.
Indicar amostragem endometrial conforme idade, contexto e fatores de risco.
Confirmar diagnóstico histológico.
Definir histotipo e grau.
Realizar classificação molecular e avaliação de MMR quando possível.
Estadiar clinicamente e planejar cirurgia.
Após anatomopatológico definitivo, classificar risco e definir adjuvância.
Tumor aparentemente restrito ao útero
Planejar histerectomia total + salpingo-ooforectomia bilateral.
Realizar estadiamento linfonodal, preferencialmente com estratégia de linfonodo sentinela quando indicada/disponível.